terça-feira, 29 de março de 2011

Azedando

Pra azedar a alegria do post anterior, vou colocar aqui uma reflexão desanimadora.

Encontrei um trecho legal pra mostrar o que acaba nos acontecendo depois de tanto levar bordoada do mundo, sem refletir sobre essas bordoadas. No final, não escapamos de apanhar muito. Mas no dia em que deixarmos de fazer o que devemos fazer, estaremos nos tornando coniventes com a situação.

Vai um trecho do “Discurso da Servidão Voluntária” do filósofo francês Etienne de la Boétie (1530 -1563):

“É verdadeiro dizer que no início serve-se contra a vontade e à força; mais tarde, acostuma-se, e os que vêm depois, nunca tendo conhecido a liberdade, nem mesmo sabendo o que é, servem sem pesar e fazem voluntariamente o que seus pais só haviam feito por imposição. Assim, os homens que nascem sob o jugo, alimentados e criados na servidão, sem olhar mais longe, contentam-se em viver como nasceram; e como não pensam ter outros direitos nem outros bens além dos que encontraram em sua entrada na vida, consideram como sua condição natural a própria condição de seu nascimento [...] Entretanto, o hábito, que todas as coisas exercem um império tão grande sobre todas as nossas ações, tem principalmente o poder de ensinar-nos a servir: é ele que, a longo prazo (como nos contam de Mitridates, que acabou habituando-se ao veneno), consegue fazer-nos engolir, sem repugnância, a amarga peçonha da servidão”
  
Desanimador nos ver nessa situação. Mas quanto conseguimos nos desvencilhar dessas amarras e não nos tornarmos marginais? Talvez quase nunca na prática, mas jamais podemos nos render nas idéias.

domingo, 27 de março de 2011

Bom humor total

O Montagna ficou de mau humor neste carnaval...E eu também! Mas carnaval é alegria, a festa da carne! Sei que esta porcaria de festa começou recentemente em fevereiro e seguirá até pouco antes do Natal. Por isso, como sugeriu o grande Olavo de Carvalho, peço que se divirtam com o samba-enredo do  ' Grêmio Recreativo da Casa do Cara...'

domingo, 13 de março de 2011

Pelo direito ao mau-humor

Carnaval é uma tragédia completa e absoluta em tantos aspectos que nem dá pra começar. Seja como for, encontrei esse texto há uns dias e tive um pouco de preguiça de comentar e preambular por aqui. Mas o fato é que estão enfiando umas coisas nas nossas cabeças, e portanto nos cobrado padrões de comportamento, que estão ficando cada vez mais irritantes. O pior pra mim é perder o direito de estar mau-humorado, ser rabugento e ter que gostar de coisas estúpidas como o carnaval, por exemplo.

Sei que a coisa foge um pouco do escopo do blog, mas, como o subtítulo mesmo diz, também há espaço para divagações. E essa é minha divagação da semana - em comemoração ao fim das férias forçadas desse país desde o Natal.

O texto está nesse link aqui.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

O calibre do buraco

Tenho colocado uns posts aqui falando sobre os problemas da educação, encrencas diversas sobre má formação de professores, má formação de alunos, problemas, problemas, problemas... mas agora eu trago algo mais: problemas.

Duas coisas curiosas: uma mostra que a formação está on demand, como diriam os americanos - ou, a toque de caixa; a outra mostra que a percepção geral de ciência está uma caca, e isso tem reflexos. Vejamos.

Neste link aqui dá pra ler uma matéria sobre a má formação em cursos tecnológicos. Esses cursos têm o objetivo (discutível) de mandar mão-de-obra especializada rapidamente pro mercado de trabalho. Pelo jeito não tem funcionado. Quer dizer, nem técnicos, nem bacharéis, nem tecnólogos e nem nada tem sido formado decentemente... portanto, quem constrói pontes, carros, prédios? Quem te atende no hospital, no banco, no restaurante? Além da corrupção (outro problemaço), tem então a incompetência em números, pra mostrar que estamos indo para baixo, e avante!!!

Neste outro link aqui dá pra ler outra encrenca: a falta de educação científica geral da população. No caso do artigo, falam de russos. E você dirá, "bem, eles que se atolem nos pântanos inférteis da ignorância pra lá!". Pois é... mas russos ignorantes são como chimpanzés com metralhadoras carregadas: eles podem pulverizar o mundo com uma dedada no botão certo!!! A guerra fria é coisa de filme velho pra nossa geração - mesmo eu tendo visto a queda do muro de Berlim pela TV. Mas não vivemos a parte cabeluda dessa época do mundo. O ponto sobre essa mesma questão é que esses números mostrados na matéria são parecidos com os dos EUA, e quiçá, de outros lugares desenvolvidos... que dirá por aqui.

Pergunta do Tio: vamos galopando para uma nova idade das trevas? Não consigo pensar de outra forma.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Por que a coisa vai mal - A Saga

Como temos dito por aqui, a educação anda uma lástima por muitos motivos. Sociais, estruturais, políticos, enfim, uma panacéia está instalada no que se refere às mazelas do ensino nesse país. Como não é fácil tratar de tudo ao mesmo tempo, seria necessário que os governos dessem lá suas canetadas e fizessem coisas de grande envergadura na área. Eis aqui nesse link mais um dos motivos da penúria. A formação de docentes capacitados cai vertiginosamente em pouco tempo.

Problemão, entretanto. A educação só dá resultado visível depois de muitos e muitos anos, bem mais que duas reeleições. Portanto, nunca aparece; e mesmo que dê grandes resultados, é tanto tempo, que não serve de bandeira de campanha política. 

Problemão dois é que esse é um ponto estratégico. Não dá pra ficar assim. Faltam profissionais qualificados em muitas áreas no mercado atualmente. E mesmo o pessoal com papel na mão não tem conseguido preencher essas vagas. Nem adianta colocar a culpa no MEC. O ensino superior é o ponto final da história, é onde estoura a bolha que vem sendo inflada há décadas, desde os níveis básicos da educação.

Qual a perspectiva? Depende de que lado da história você está. Se formou bem, estudou bem, família teve grana pra te bancar em escola boa a vida toda? Emprego bom e sem sobressaltos. Se está do outro lado, calvário garantido. E pra onde vai todo o papo de igualdade e diminuir o abismo social do país? Esta mais que demonstrado que simplesmente socar a galera numa sala de aula não está fazendo diferença. Está mais que demonstrado que, apesar das melhoras inegáveis, a diferença do abismo social só faz aumentar. E onde vai parar a educação desse jeito? Sabemos a resposta. Basta olhar pra trás, ver o que era e o que virou. A diferença, daqui pra frente, será cada vez mais abissal em cada vez menos tempo. Infelizmente...

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Achincalhação em dose aguda

Que homeopatia não é nada, nem vou discutir. Na melhor das hipóteses, é estelionato.

Ao invés de milhões de dólares em pesquisas, e artigos, e atenção da comunicade científica e da mídia, o melhor é o que esses caras fizeram: achincalharam com a coisa. Merecidamente.

Dá pra ler nesse link aqui essa deliciosa notícia.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Uma visão da ciência no Brasil

A rotina ainda não engrenou. Mas recebi uma entrevista interessante esses dias que vale a pena dar uma passada de olho. O sujeito fala sobre como anda a ciência atualmente no Brasil, e, evidentemente, qual a perspectiva da coisa.

Uma palavra sobre o entrevistado: ele é um cara hiper-ativo, que quebrou o pau com meio mundo no sudeste e se mandou pra Natal. Fez o esquema dele por lá, atropelou muita gente que ele deixou pra trás, e hoje controla com mão de ferro seu empreendimento. Louve-se o sucesso da iniciativa e da empreitada. Mas, dizem os mais próximos, e que conhecem a figura, que ele pega pesado demais na competição e não é lá muito camarada, por assim dizer. Apesar de posar como um sujeito legal e amável, diz-se que a coisa passa um tanto longe disso.

Seja como for, o cara frequenta a boataria de Prêmio Nobel, o que seria uma maravilha pra ciência brasileira, pois ele mostrou que dá pra fazer ciência de ponta dos grandes centros. Mas, alguns afirmam que seria uma desgraça, pois incentivaria um modelo de trabalho feroz e cujos objetivos são distorcidos. A julgar pela entrevista, não se chega nem a um e nem a outro ponto. Não importa. O que importa é que há um ponto de vista. E pontos de vista sempre são bem-vindos, pois permitem a discussão.

E entrevista está nesse link aqui.

Boa leitura.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Patenteando a Amazônia

Excelente o artigo do Montagna sobre patentes. Mas, se você é um daqueles que concorda que as patentes são uma maldição e que fármacos deveriam ser de domínio público, pois salvam vidas, então experimente trabalhar de graça.

O que é uma patente? Veja a definição do 35 U.S.C. § 101 do Patent Act de 1793: "Whoever invents or discovers any new and useful process, machine, manufacture, or composition of matter, or any new and useful improvement thereof, may obtain a patent therefor, subject to the conditions and requirements of this title. Tradução precária: "Quem quer que invente ou descubra qualquer processo, máquina, processo industrial ou composição material, ou qualquer aperfeiçoamento novo e útil dos mesmos, poderá, portanto, obter uma patente, sujeita às condições e requerimentos desta lei". Então, uma patente tem que ser algo novo e útil.

John Craig Venter, no seu projeto 'genoma humano' tentou, mas não conseguiu, patentear genes. Sem dúvida, seu projeto é algo novo, mas onde está a utilidade? A utilidade poderia surgir a partir do momento que seu grupo descobrisse como diagnosticar e curar uma doença genética.
 
Muitas pessoas no Brasil acreditam que o gringo chega na floresta Amazônica, rouba umas plantinhas, e logo depois se torna milionário, patenteando algo que pertence ao patrimônio nacional. Não é bem assim.  Uma pessoa versada em farmacognosia poderia facilmente descobrir uma molécula nova proveniente de uma planta da floresta Amazônica. No entanto, seria necessário gastar centenas de milhões de dólares para que seja possível provar que tal descoberta é útil para a cura de uma doença. Isto inclui fazer testes in vitro, testes em animais, e, se tudo der certo, fazer ensaios clínicos. Enfim, não importa se um brasileiro ou um estrangeiro descobriu uma molécula produzida por uma planta ou animal na Amazônia. Para se conceder a patente à alguém, é necessário provar que a descoberta seja nova e útil.

Artigo publicado originalmente em FeixeVerde.