terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Tragédia anunciada... ou farsa anunciada?

A estrutura da universidade pública para pesquisadores não raro fica viciada, bem como os meios de financiamento. Fácil entender: quem julga e avaliza projetos que renderão verbas são sempre os mesmos. Assim, ou se é da panela, ou morre de fome. Nada mais natural entre seres humanos. E nada exclusivo do Brasil.
Então, lá pelas tantas, um excelente cientista resolve se revoltar contra o sistema e convence muita gente de que fora da universidade ele vai poder fazer e acontecer (fato!), e que se dessem grana pra ele, as coisas seriam diferentes na produtividade (fato!), e que seria fora do eixo sul-sudeste, para expandir horizontes (fato!). E tome grana!!! Ótimo. Esqueceram de verificar a parte "Ser Humano" da pessoa (que no caso, não consta), e o resultado pode ser visto nessa notícia aqui.
Tive oportunidade de viver um tempo no mundo da pesquisa em neurociência e descobri que no Brasil, todo mundo está com alguém, e, portanto, contra outro alguém. Se você é desse grupo, ou trabalhou nesse grupo, então é contra aquele grupo. Parece uma futebolização da ciência.
O resultado da brincadeira aí está. Um ex-aluno sai fora do lugar que já é derivado de um racha, se arruma noutro lugar, funda outro grande centro, promissor, o mesmo início da outra conversa. Conhecendo os personagens como não conheço, só ouvi fofoca, a nova história deverá ser diferente dessa do link aí em cima. 
Mas a primeira história não era diferente das anteriores?
Não me lembro de quem era a frase, mas era algo como basta que o oprimido se veja na posição de opressor e ele não perde a chance de se comportar com tal. Nada mais desanimadoramente humano...

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Seca na coerência

    Sou francamente contra a Lei Seca. Por vários motivos. Em primeiro lugar, pela falta de rigor científico no caso: não é só álcool que altera as capacidades sensoriais, cognitivas e motoras. Muitas outras substâncias lícitas e ilícitas podem ser até bem piores - antidepressivos, ansiolíticos, antialérgicos, relaxantes musculares... e outros para os quais não há dados tão claros como para com o álcool. Em segundo lugar, pois há a presunção do crime: quem usa essa substância tem tantas vezes mais chances de causar um acidente de trânsito. Sendo assim, se formos considerar as chances, então temos que prender um monte de gente, pois índice sócio-econômico, grau de escolaridade, lugar onde mora e otras cositas também mostram onde há mais chances de se cometer um crime, e a polícia não sai prendendo qualquer um por aí pelas chances de se cometer um crime... bem como o seguro do carro, o plano de saúde por idade... chances, chances. Na minha opinião, que se dirija bêbado. Se causar acidente, a pena é multiplicada por dez, assim como a multa, seguido da proibição definitiva de dirigir. Como nesse país nunca se pune nada, e menos ainda se faz valer a lei, melhor proibir tudo, e seguir na lógica da proibição irrestrita - e nesse ritmo, vão proibir o açúcar, por causar diabetes, e proibir sal e gordura, por causar hipertensão.
    Pois bem. 
   Hoje li uma notícia que mostra que, mesmo a passo de tartaruga, as autoridades se dão conta do óbvio, e a patrulha do bom-mocismo avança. Agora perceberam que não só o álcool pode causar alterações sensório-cognitivo-motoras. Há outras substâncias. Pode ser lido nesse link aqui.
   Tudo lindo e coerente. Avançar na coerência da coisa é importante. Mas o raio é que eles deixam escapar que o problema tem um fundo moralista, quando lá na última frase dizem que o foco são as drogas ilícitas. Mas isso é uma estupidez!!! Já é proibido droga ilícita (desculpem a redundância), dirigindo ou não. E que vantagem Maria leva nisso? Outro problema é que a quantidade de usuários de drogas lícitas e prescritas que causam efeitos sensório-cognitivo-motores é absurdamente maior do que a quantidade de usuários de drogas ilícitas. Querem pegar quem com isso? Papo de falso moralista.
   Por fim, quero ver provar que tem essa ou aquela substância no meu sangue. Os Institutos de Criminalística Brasil afora mal conseguem dar conta da demanda atual de trabalho (por culpa do Governo, que não dá estrutura e material), isso quando têm pessoal e equipamento especializados para análises desse tipo.
   Vai ser a expansão da mentalidade carnavalesca da impunidade: mais coisas proibidas, mais gente sendo pego e nada sendo feito!!!
   Volto à carga: pra quê? Presunção do crime? Não seria muito mais eficaz punir aquele que comete o crime? Bateu o carro e teve vítima ou dano material ao bem público ou a terceiros? Vai dormir no xilindró e passar por uma bateria de exames toxicológicos. Comprovou? Arrepia com o sujeito!!! Mas e pra garantir o cumprimento da Lei? Não conseguem fazer a coisa direito nem com bafômetros, que dirá com uma lista maior de substâncias.
E a hipocrisia nada de braçada...

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Cotas

Não vou entrar no mérito da discussão. Não quero, e não aceito provocações. Mas sempre acho que ter mais dados pode jogar luz na questão. Tem nesse link aqui uma matéria interessante sobre alguns critérios que estão sendo discutidos nos EUA. Eles são melhores que a gente? Sim. Eles conseguem ir mais longe que a gente? Sim. Então por que não coletar alguns pontos da discussão deles que eventualmente estejam sendo negligenciados no Brasil? Sem pensar na conclusão do artigo do link, mas sugerindo que se pense numa questão bem mais pragmática: qual deve ser a abrangência do processo?

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Salvação?

Era só o que me faltava, nesse link aqui eis uma ameba que amebiza as pessoas... agora vai ter gente cheirando Flagyl pra ver se consegue melhorar o desempenho acadêmico. Medo...




segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Relações perigosas

Tentar relacionar eventos e encontrar nexo causal entre eventos, famosa relação causa e consequência, é algo necessário na ciência. Talvez, dentre as concepções mais amplamente aceitas sobre ciência, esteja a idéia de que a ciência deve explicar os fenômenos. É um dos critérios, mas não o diferencial. Não importa. O que importa é que o pessoal fica fuçando cá e lá, tentando encontrar nexo causal entre eventos que podem parecer próximos ou distantes. Mas veja onde isso pode chegar.

Tudo bem, não li o artigo original (falha minha!) e pode ser que não seja bem isso o que está escrito. Mas, mesmo que seja, acho que tem um pouco de exagero na coisa que se lê nesse link aqui: roncar causa câncer.

Nem vou destrinchar a coisa. É ridículo de saída. Apnéia é vago demais, há casos e casos, mas fica mais ridículo ainda quando se diz "câncer", que é a coisa mais vaga possível em se tratando de possibilidades de manifestação. Me pergunto como é que os caras esperam credibilidade quando veiculam esse tipo de notícia dessa forma. Como o compromisso da mídia não é com a verdade, mas com o sensacionalismo, e como o compromisso do cientista tem sido cada vez mais com a geração de dados a qualquer custo, e não a qualidade dele, vamos entrando num mundo de iluminada ignorância. Haverá tanto ruído que o descrédito só poderá crescer. Hei de viver funestos tempos. Enquanto isso, vou tentando manter as coisas funcionando por aqui.

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Rápidas e rasteiras

Cansei de desativa e reativar o blog. Notícias nunca faltam, e, honestamente, tempo se encontra. O fato é que precisava dar uma chacoalhada nisso aqui, e cada vez menos encontro formas. Convidei amigos... ninguém escreve mais que um tecxto, quando escreve. Tentei divulgar entre alunos... e isso dura um ou dois acesso (e eu sei por que, mas não vem ao caso). Agora me ocorre de tentar fazer uma página no facebook. Funcionaria? Preciso encontrar quem se anime a fazer isso, pois eu mesmo tenho bem pouca disposição para redes sociais.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Rankings e a posição da USP

Demorei pra postar isso, mas acho que ainda vale a pena. Saiu um dia desses uma notícia de que a USP é a melhor Universidade da América Latina. A notícia pode ser lida nesse link aqui. Maravilha, é a melhor, e pode-se questionar qualquer tipo de ranking, por melhor que ele seja. Mas já é alguma coisa, e não custa tentar encontrar parâmetros objetivos pra dizer o que é bom e o que não é tão bom assim.

Pois a melhor notícia sobre rankings e a USP pode ser lida nesse link aqui. É um ranking feito para alunos dos EUA e diz que a USP é boa para 'burros'. Isso mesmo, se você é um asno que só quer saber de jogar bola, a USP é o melhor lugar.

Exageros à parte (não acho que seja tão exagerado assim), ninguém se mata de estudar na USP. Tirando o pessoal da Física e umas matérias aqui e ali, realmente, não dá pra comparar com o quanto o pessoal estuda nas grandes Universidades mundo afora.

Tá vendo como o rankings podem ser estranhos e mostrar ângulos diferentes? Na verdade, essa diferença não existe. Os caras mais sérios vêem a USP como ela é: moleza. E os Latinos que gostam de se vitimizar, acham aquilo o máximo. Em tempo: se perguntou por que muitas universidades nem entram nos rankings, sejam eles quais forem? Pois é... those were the days...

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Bibliotecas Digitais

A gente vive reclamando que livro custa caro, e que é difícil encontrar nas bibliotecas, e um monte de blá-blá-blá. Eis aqui uma contribuição de um dos três leitores do blog, duas matérias sobre bibliotecas digitais. Trabalho interessante e riquíssimo de preservação de obras que poderiam desaparecer do meio físico, ou que já estão com seus direitos autorais vencidos (e agora são de domínio público) e que é uma verdadeira pilantragem que haja quem cobre por essas obras.

Vale a pena dar uma fuçada nos dois artigos que estão aqui e aqui.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Uma boa notícia

Enfim, leio uma boa notícia. Ela está nesse link aqui. E o que ela tem de importante? O simples fato de estar bem escrita. Sóbria, com as devidas citações, com a devida cautela e com o cuidado certo na hora de mostrar uma informação.

Sei que vocês, meus três leitores(as), podem estar meio decepcionados(as), afinal de contas, a notícia é bem científica... mas tão científica a ponto de ser quase chata. Mas não é isso ciência? Um porfiar infindável de pequeninos passos que abrem novas e intrigantes possibilidades? Da minha parte, acho a descoberta fascinante! Confesso, não li o artigo original, mas o farei e posso colocar uma atualização posterior por aqui. Mas não importa. Vivo criticando os meios de comunicação pela péssima forma como eles mostram a ciência. Mas aqui eles mandaram bem.

Mas a ciência deve ser chata? De jeito nenhum. Pelo menos eu não acho. Também não acho que esse fascínio que eu sinto deva ser algo disseminado. Daí o pouco ibope das notícias científicas. Daí o fato de forçarem a barra pra qualquer uma delas seja bombástica - geralmente pelos meios menos honestos.