terça-feira, 5 de outubro de 2010

Maomé e a montanha.

...nunca me esquecerei de um conto de nossos tempos. O personagem principal desta história que vos conto, foi apenas, segundo ele, um coadjuvante. Sua vida sempre foi farta. Farta no sentido maníaco. Anéis de Saturno mais próximos que o chão. Uma ternura hardcore. Acordava cedo, este personagem, perguntando para si mesmo qual seria o motivo do próximo porre. Nunca lhe faltou. Perguntar-se sobre isto já era um motivo. Companhia nunca lhe faltava, tinha muito mais que quatro por cento. Gritavam em uníssono a melodia contra o tédio. Tropeçavam para cair, e caíam, pois estavam longe do chão. Uma eterna queda no abismo das relações humanas. A farra era farta e a ressaca era um bom motivo. Era jovem, tinha apenas 19 anos: seis de abusos. Um ano de sobra. A contemplação era constante, a ponto de viciar quaisquer cristãos ferrenhos; e Divina, pois era compartilhada como cigarros no manicômio. Uma loucura breve, de sanidade intermitente, como a tristeza. E porque não, como a felicidade. Fã de poesia, este personagem não tinha medo de fingir. Tinha razões mais científicas para viver em seu maravilhoso mundo de Alice. Fingia para si mesmo por não suportar a idéia de ter que acreditar no que via. E pensando bem, ele tinha motivos. Viveu este personagem o tempo certo. Brindou os dias com as lágrimas que não chorou. Recolheu-se em sua história e parou. Parou de beber. Não parou de fumar. Parou de escrever. Mas não parou de ler. Parou de sonhar. Mas não acordou. Parou de fazer... e apenas me diz a noite este personagem quando me lembro dele:
- A realidade é muito triste.
Eu respondo:
- Eu hein, prefiro recair.

3 comentários:

montagna disse...

Pois é... nunca tivemos paciência com humanos, não? Mas hoje, não tem jeito, tem que encarar - e agradecendo aos deuses pela graça alcançada!

montagna disse...

HAHAHAHAHA...

Lá nas reações tem 3 "Então tá!"...

Acho que foi o texto que arrancou mais reações da platéia!

farmacéptica disse...

Meu caro, quem escreve nunca deixa de escrever... mesmo quando não escreve!

;o)
Boas histórias...